Em 2 de agosto de 2021, militantes islâmicos Fulani fortemente armados atacaram diversas aldeias na região de Irigwe, no estado de Plateau, na Nigéria, assassinando 65 pessoas, entre elas cinco membros da família de Ruth — uma bebê de apenas dois meses na época.

Passados cinco anos, “Baby Ruth”, como ficou conhecida, tornou-se um símbolo vivo de esperança em meio à longa e sangrenta guerra contra cristãos nigerianos vítimas de ataques bárbaros.

A história de sobrevivência da menina inspira outros cristãos que também enfrentaram a violência, relata a organização International Christian Concern (ICC), que apoia cristãos perseguidos ao redor do mundo.

Mesmo após ter vivido uma tragédia inimaginável, o sorriso de Ruth reflete uma força que supera os traumas. Para a família Danjuma, que a acolheu, a fé é o alicerce que sustenta a vida em meio às tempestades.

“Milícias Fulani mataram cinco membros da nossa família”, relembra Talatu, tia e mãe adotiva de Ruth, com lágrimas nos olhos.
“Apenas Ruth e nossa avó sobreviveram. Já enfrentamos tantos ataques, mas mantemos nossa fé em Deus, porque tudo o que tem um começo certamente terá um fim.”

Hoje, a casa da família em Jos oferece a Ruth um ambiente seguro e cheio de amor. Ainda assim, as lembranças da perda permanecem vivas.

Danjuma, pai adotivo, diz que a perseguição os fortaleceu espiritualmente:

“Isso nos aproximou de Deus. Não oramos por vingança, mas por perdão — para que os agressores encontrem Cristo. Só Deus pode transformar o coração de um homem.”


📚 Desafios e recomeços

Atualmente, Ruth estuda na Escola Primária ECWA, em Kabong, onde sua professora, Regina Adu, a descreve como uma menina doce e curiosa:

“Ruth é calma e gentil. Ela tem um pouco de dificuldade nos estudos, provavelmente por tudo o que passou, mas acredito que vai melhorar. Está aprendendo a escrever com capricho e tem um futuro brilhante.”

Os cuidadores contam que Ruth adora cantar na escola dominical, especialmente hinos que falam sobre o amor de Deus.

Embora ainda seja muito jovem para compreender o que viveu, sua família a ensina valores de perdão e esperança em Cristo.

“Ela pode não se lembrar do que aconteceu”, diz Talatu, “mas garantimos que cresça sabendo que Deus a ama profundamente.”


⚠️ Cristãos sob ataque

A região do Cinturão Médio da Nigéria — que abrange os estados de Plateau, Benue e Kaduna — tem sido cenário de violência sistemática motivada por conflitos religiosos. Centenas de aldeias cristãs foram atacadas, igrejas destruídas e milhares de pessoas forçadas a fugir.

A defensora comunitária Gata Moses explica que a história de Ruth não é um caso isolado:

“Essa é a realidade de muitas crianças cristãs na Nigéria. Elas viram seus pais serem assassinados e suas casas destruídas. A violência é sistemática — é uma forma de genocídio. Ainda assim, o governo permanece em silêncio.”


🙏 Fé, amor e propósito

Para os pais adotivos de Ruth, a maior oração é pela paz — e pela chance de dar à menina uma boa educação:

“Pedimos ajuda com a educação de Ruth”, conta Talatu. “Queremos que ela aprenda e se torne alguém que possa ajudar os outros um dia. Não conseguimos concluir nossa própria educação, mas acreditamos que Ruth pode ir mais longe se tiver oportunidade.”

Todas as noites, a família se reúne para agradecer a Deus e pedir forças para seguir.

“Perdemos tanto”, diz Danjuma, “mas também sabemos que Cristo está conosco. A perseguição nos lembra que este mundo não é o nosso lar. Ela nos ensina a depender completamente de Deus.”


💖 Memórias e futuro

A recuperação de Ruth também é um processo de cura para toda a família. Sua avó — única sobrevivente junto com ela — a visita com frequência e mantém viva a memória da mãe da menina.

“Ela me chama de ‘mamãe’ e me abraça sempre que venho”, diz a avó. “Quando a vejo sorrir, sei que Deus ainda tem um propósito para nós.”

Hoje, Ruth tem 5 anos. Apesar das marcas físicas da desnutrição e dos traumas, vem se fortalecendo com cuidados médicos e muito amor.

Com o apoio da ICC e de cristãos parceiros, a família recebeu alimentos, roupas e assistência médica. Ainda assim, vivem sob constante medo de novos ataques.

“Às vezes ouvimos tiros vindos de vilarejos próximos”, conta Talatu. “Isso nos lembra daqueles dias sombrios. Mas confiamos na proteção de Deus. Ele nos trouxe até aqui e não nos abandonará agora.”

Enquanto seguem firmes em sua jornada de fé e reconstrução, a família Danjuma deixa um apelo ao mundo:

“Orem pelos cristãos perseguidos na Nigéria. Orem pela paz no estado de Plateau. Que Deus mude o coração daqueles que fazem isso, para que possamos desfrutar da paz novamente. Acreditamos que um dia, todas as lágrimas serão enxugadas.” 🌿

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *