Durante a megaoperação policial deflagrada no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, uma equipe da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) montou um ponto de apoio espiritual em meio à área de conflito, com o objetivo de levar conforto, água e oração aos moradores.
O grupo instalou uma barraca em um local onde corpos de suspeitos mortos na operação — recolhidos por moradores — estão sendo retirados e encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML).
Vídeos publicados no Instagram na tarde desta quarta-feira (29) mostram os voluntários da igreja distribuindo água gelada e orando por moradores e trabalhadores que atuavam na remoção dos corpos.
“A Igreja Universal está dentro do Complexo da Penha, levando esperança, oração e transformação. Chamam de loucura, mas é fé”, declarou o bispo Gonçalves, líder da denominação, em postagem nas redes sociais.
Segundo o bispo, a ação surgiu de forma espontânea entre os membros da igreja, com o propósito de levar o amor de Deus aos que sofrem em meio ao cenário de violência.
“No meio do caos, nasceu uma ação de fé. Chegamos com coragem e compaixão. Porque onde há dor, ali também precisa estar a presença de Deus”, destacou.
Evangelização em meio ao conflito
De acordo com a equipe que atua no ponto de apoio, membros da Força Jovem Universal (FJU) estiveram no Complexo da Penha no último domingo (26), realizando ações de evangelização entre moradores e até traficantes ligados ao Comando Vermelho (CV).
Os participantes afirmaram que pretendem continuar levando a mensagem de salvação à comunidade, mesmo diante do clima de tensão.
“Não vamos desistir deles. Creio que serão resgatados pelo Espírito Santo, vão se render a Jesus. Estamos aqui para isso”, disse um membro da igreja que vive no Complexo há mais de 50 anos.
Um obreiro da FJU também comentou sobre a situação:
“Essa batalha é espiritual. Um chora de um lado, outro chora de outro.”
A iniciativa da Igreja Universal ocorre em meio à Operação Contenção, a maior ação policial realizada no Rio nos últimos 15 anos, que já deixou dezenas de mortos e prendeu mais de 80 suspeitos, segundo balanço da Secretaria de Segurança Pública.
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