A maquiadora itabirana Deicielle Oliveira, de 35 anos, iniciou uma campanha solidária para arrecadar R$ 80 mil com o objetivo de viabilizar um tratamento médico fora do Brasil. Diagnosticada com Síndrome de Cockett — uma condição vascular rara — e com neoplasia gástrica carcinoide maligna, Deicielle enfrenta há anos sérias limitações de saúde e encontrou, na Índia, uma alternativa terapêutica que une medicina convencional e práticas da Ayurveda.
O tratamento será realizado em uma clínica localizada em Querala, onde ela deverá permanecer internada por aproximadamente seis semanas. O valor arrecadado será destinado a cobrir despesas com tratamento médico, exames, internação, alimentação, hospedagem, vestuário e custos de viagem. As doações podem ser feitas por meio de uma vaquinha on-line, disponível na plataforma Vakinha.
Histórico de saúde complexo
Deicielle convive há cerca de cinco anos com a Síndrome de Cockett, também conhecida como Síndrome de May-Thurner, condição que compromete o retorno venoso dos membros inferiores. A doença já provocou episódios graves, como trombose e embolia pulmonar, além de representar risco constante de novas embolias e AVC.
Ela passou por um procedimento de implante de stent na veia ilíaca, que atualmente encontra-se ocluído e sem possibilidade de reabertura no Brasil. Desde então, enfrenta dores abdominais persistentes e prejuízos significativos à qualidade de vida.
Há três anos, Deicielle também recebeu o diagnóstico de neoplasia carcinoide gástrica em estágio inicial, com a presença de múltiplos pólipos no estômago, alguns malignos. A condição exige retiradas periódicas e mantém a possibilidade de uma gastrectomia total como risco futuro.
“O problema é que uma condição interfere diretamente na outra. Por causa da trombose, não posso realizar alguns procedimentos no estômago. E o uso contínuo de anticoagulantes agrava a anemia e o quadro gástrico”, explica.
Diagnóstico tardio e impactos diários
A descoberta da síndrome ocorreu após uma caminhada, quando Deicielle passou a sentir dores intensas na perna esquerda. Inicialmente, o quadro foi tratado como dor muscular ou ciática. Dias depois, com o agravamento dos sintomas e a perna arroxeada, veio o diagnóstico de trombose.
O acompanhamento com o angiologista Dr. Paulo Henrique, citado por ela com gratidão, foi fundamental para a investigação aprofundada que levou ao diagnóstico correto.
Além das limitações físicas, a doença afetou diretamente sua vida profissional e financeira. A maquiadora precisou reduzir drasticamente o número de atendimentos, interromper cursos e limitar atividades simples do cotidiano, como permanecer muito tempo sentada ou em pé.
“Isso impactou totalmente minha renda e também o emocional”, relata.
Ela também convive com dores constantes, restrições alimentares, alterações hormonais, queda de cabelo e quadros de ansiedade e depressão, associados à deficiência de nutrientes. Por recomendação médica, a condição também impede uma possível gestação.
Esperança no tratamento fora do país
A decisão de buscar tratamento na Índia veio após pesquisas e conversas com pacientes brasileiros e estrangeiros que passaram pela mesma clínica. Segundo Deicielle, o diferencial está na abordagem integrativa.
“Aqui, muitas vezes, o tratamento é focado apenas nos sintomas. Lá, eles buscam a causa do problema. Conversei com pessoas que tiveram melhora significativa e até remissão de casos graves”, afirma.
Para ela, a campanha representa mais do que uma arrecadação financeira. “É uma esperança real de cura. Antes que meu corpo não aguente mais, antes que eu precise retirar o estômago ou que algo irreversível aconteça”, diz.
A campanha segue ativa, e Deicielle reforça que cada contribuição e compartilhamento são fundamentais. “Quem ajuda não está ajudando só a mim, mas levando esperança para outras pessoas que também enfrentam doenças graves e acreditam que é possível viver com dignidade.”
As doações podem ser feitas por meio de uma vaquinha on-line, disponível na plataforma Vakinha (www.vakinha.com.br/5848525)