Internado desde a véspera de Natal, com um quadro grave de aneurisma cerebral, o itabirano Igor Gabriel dos Santos segue no Pronto-Socorro Municipal de Itabira (PSMI) aguardando, sem previsão, uma vaga para transferência a Belo Horizonte, onde poderá realizar tratamento de neurocirurgia de alta complexidade.
O caso ganhou repercussão nos últimos dias e, na noite desta segunda-feira (29), a Secretaria Municipal de Saúde de Itabira divulgou uma nota oficial esclarecendo o funcionamento do fluxo de transferência de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no município.
Como funciona o fluxo de atendimento
Segundo a Secretaria, o Pronto-Socorro Municipal — administrado pelo Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) — é a principal porta de entrada para atendimentos de urgência e emergência em Itabira, atendendo também pacientes de cidades vizinhas.
Todos os pacientes que dão entrada na unidade recebem atendimento médico completo, com avaliação clínica, realização de exames, administração de medicamentos e estabilização do quadro de saúde.
Quando há necessidade de tratamento especializado não disponível no município, como a neurocirurgia, o PSMI solicita a transferência por meio do sistema SUS Fácil MG. O cadastro do paciente é então encaminhado à Central de Internação de Belo Horizonte (CINT-BH), macrorregião de referência de Itabira.
Falta de vagas em neurocirurgia
De acordo com a nota, a Central de Leitos do Estado de Minas Gerais, responsável pela gestão de todos os leitos hospitalares estaduais, informou que não há, no momento, previsão de vaga para a especialidade de neurocirurgia.
A Secretaria ressalta que a avaliação, priorização e liberação de vagas são atribuições exclusivas dos médicos reguladores do Estado, seguindo critérios técnicos relacionados à gravidade e ao risco de vida, não cabendo ao município decidir sobre a destinação dos leitos.
Enquanto aguarda a transferência, Igor permanece internado no Pronto-Socorro Municipal, com acompanhamento contínuo, monitoramento clínico e medidas de segurança. Após a liberação da vaga pelo sistema estadual, o município informa que providencia a autorização e o transporte adequados para a unidade de destino.
A Secretaria Municipal de Saúde reforçou ainda o compromisso com a transparência das informações e com a assistência integral aos usuários do SUS atendidos na rede municipal.
O caso Igor Gabriel dos Santos
Igor está internado desde o dia 24 de dezembro, após ser diagnosticado com aneurisma cerebral. O quadro é considerado grave e demanda procedimento neurocirúrgico especializado, indisponível em Itabira.
Até o momento, não há previsão de vaga para transferência, e o paciente segue sob cuidados médicos no PSMI.
Outros casos semelhantes
O ano de 2025 foi marcado por diversos episódios envolvendo pacientes de Itabira que precisaram aguardar vaga para neurocirurgia fora do município, alguns deles noticiados pelo portal DeFato Online.
Em maio, Herycson Ferreira dos Santos, de 32 anos, foi diagnosticado com aneurisma cerebral e má formação arteriovenosa. Após dias de espera, a família recorreu à Justiça, que determinou a transferência em até cinco dias, autorizando inclusive o uso de recursos públicos para custeio de leito particular, caso não houvesse vaga pelo SUS.
No último dia do prazo judicial, surgiu uma vaga no Hospital São Judas Tadeu, em Oliveira, referência em neurocirurgia, onde Herycson passou pelo procedimento.
Outro caso foi o de Regiane Lúcia da Silva, de 40 anos, internada após sofrer um AVC em maio. Ela aguardou mais de uma semana até conseguir transferência para o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, em Belo Horizonte.
Também enfrentaram longos períodos de espera Maria da Penha Pereira Roque, de 72 anos, internada em setembro com quadro de urgência, e Bruno Ricardo Ribeiro, de 37 anos, hospitalizado em novembro com estado crítico.
Alerta para a saúde pública
O aumento de casos graves de aneurisma cerebral e acidente vascular cerebral (AVC) evidencia a dependência de Itabira em relação a outros municípios para atendimentos de alta complexidade em neurocirurgia.
A situação reacende o debate sobre a necessidade de expansão de especialidades médicas e da estrutura hospitalar de alta complexidade no município, especialmente no âmbito do SUS.