Em um movimento diplomático de grande repercussão global, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (18) a criação de um novo “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza. A iniciativa prevê a formação de uma entidade internacional responsável por supervisionar a transição do território após mais de dois anos de conflito e diante de uma trégua considerada frágil entre Israel e grupos militantes palestinos.

Segundo o anúncio, o conselho terá como principais objetivos coordenar esforços humanitários, garantir a segurança e promover negociações para uma solução duradoura na região. Trump afirmou que o órgão pretende atuar como mediador central no processo de reconstrução e estabilização do território.

A proposta representa um passo significativo na tentativa de reorganizar o cenário político do Oriente Médio e reforça o papel dos Estados Unidos — e do próprio Trump, que se autodenominou presidente do Conselho — como protagonistas em processos internacionais de paz.

Estrutura e composição

O novo órgão, também chamado internacionalmente de “Board of Peace”, foi apresentado como peça-chave para a fase de reconstrução, desarmamento e governança pós-guerra em Gaza. De acordo com um rascunho do estatuto, divulgado inicialmente pela Bloomberg News, o conselho deverá reunir representantes de cerca de 60 países, convidados diretamente por Trump.

Entre os países mencionados estão Índia, Austrália, Jordânia, Paquistão e Hungria. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, já confirmou a adesão, segundo informou o ministro das Relações Exteriores, Péter Szijjártó, à rádio estatal do país.

O documento estabelece que os Estados-membros terão mandatos de até três anos, renováveis a critério do presidente do conselho. No entanto, países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em recursos financeiros poderão obter assentos permanentes.

“O prazo de três anos de adesão não se aplica aos Estados-Membros que contribuam com mais de US$ 1.000.000.000 em fundos em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano da entrada em vigor da Carta”, aponta o texto.

Segundo a Reuters, esse modelo de financiamento tem gerado debates sobre legitimidade, influência política e equilíbrio de poder dentro do novo organismo.

Nomes de peso e convites

A composição inicial do corpo executivo deve incluir figuras de destaque da política internacional, como o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o conselheiro sênior Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump e um dos arquitetos dos Acordos de Abraão.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, também foi convidado, mas ainda não confirmou sua participação.

Reações internacionais e críticas de Israel

A iniciativa provocou reações mistas entre aliados dos Estados Unidos e levantou questionamentos sobre sua relação com a Organização das Nações Unidas (ONU). A resposta mais crítica, porém, partiu de Israel, segundo informações do site israelense i24News.

Em comunicado oficial, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a composição do conselho foi anunciada sem coordenação com Israel e contraria diretrizes da política israelense para a região.

A principal objeção está relacionada à possível inclusão de Turquia e Catar no conselho executivo — países que mantêm relações diplomáticas delicadas com Jerusalém e são apontados por autoridades israelenses como próximos de grupos palestinos.

Ministros da ala mais à direita do governo israelense rejeitaram a proposta, defendendo uma postura mais rígida em relação à Faixa de Gaza e criticando iniciativas multilaterais que, segundo eles, não priorizam a segurança de Israel.

Concorrência com a ONU

Outro ponto sensível é a possibilidade de o Conselho da Paz atuar como uma estrutura paralela ou alternativa à ONU. Diplomatas e especialistas alertam que o modelo proposto — com regras próprias de adesão, financiamento e liderança centralizada em Trump — pode desafiar o papel tradicional do Conselho de Segurança da ONU no gerenciamento de crises internacionais.

Embora autoridades americanas neguem a intenção de substituir a ONU, diplomatas afirmam que o novo conselho pode, futuramente, ampliar seu escopo para outras zonas de conflito, como Ucrânia e Venezuela.

Países europeus demonstraram resistência à proposta, expressando preocupação com a criação de mecanismos paralelos de governança internacional fora dos marcos do direito internacional vigente.

Lançamento em Davos

A expectativa é que o Conselho da Paz seja oficialmente lançado durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que tem início nesta segunda-feira (19). Na ocasião, os membros fundadores e o estatuto final do órgão devem ser anunciados.

Segundo a Associated Press (AP), caberá ao conselho supervisionar os próximos passos em Gaza, à medida que o cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro, avance para sua segunda fase — considerada a mais complexa.

Essa etapa inclui a criação de um novo comitê palestino, o envio de uma força internacional de segurança, o desarmamento do Hamas e a reconstrução da Faixa de Gaza, severamente afetada pela guerra.

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