O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (8) que Israel e o Hamas assinaram a primeira fase do acordo de paz para a Faixa de Gaza, um passo decisivo rumo ao fim do conflito na região.
Segundo Trump, após intensas negociações no Egito, Israel e o Hamas concordaram com a primeira etapa de um plano de paz proposto pelos EUA.
“Isso significa que todos os reféns serão libertados muito em breve, e Israel vai retirar suas tropas até uma linha acordada”, informou Trump ao anunciar o acordo nas redes sociais.
O presidente também destacou que “todas as partes serão tratadas de forma justa”, descrevendo o pacto como “os primeiros passos rumo à paz duradoura”.
Para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o momento foi “um grande dia para Israel”. Ele afirmou que o governo israelense se reunirá nesta quinta-feira (9) para aprovar o acordo e “trazer todos os nossos queridos reféns de volta para casa”.
O Hamas, por sua vez, confirmou o pacto e afirmou que ele “encerra a guerra em Gaza, garante a retirada completa das forças de ocupação, permite a entrada de ajuda humanitária e estabelece uma troca de prisioneiros”.
Após o anúncio, o presidente de Israel, Isaac Herzog, publicou no X (antigo Twitter):
“Neste momento, o coração de Israel bate em uníssono com o dos reféns e suas famílias.”
Em seguida, citou Jeremias 31:16-17:
“Assim diz o Senhor: ‘Reprima a sua voz de choro e enxugue as lágrimas de seus olhos, porque o seu trabalho será recompensado’, diz o Senhor; ‘pois os seus filhos voltarão da terra do inimigo. Há esperança para o seu futuro’, diz o Senhor, ‘porque os seus filhos voltarão para a sua própria terra.’”
E destacou: “Eles retornarão da terra do inimigo e os filhos retornarão às suas fronteiras”.
🕊 Entenda o acordado
De acordo com a BBC News, o que foi firmado corresponde à primeira fase do plano de paz anunciado por Trump na Casa Branca, ao lado de Netanyahu. O presidente americano demonstrou forte determinação em avançar com o acordo, usando a influência dos EUA para garantir o envolvimento de todas as partes.
O Hamas também enfrentou pressão internacional, com apoio de países árabes e muçulmanos e mediação do Egito, Catar e Turquia. As negociações foram conduzidas pelo enviado de Trump, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, seu genro.
⚙️ Próximos passos
Nesta quinta-feira (9), o governo israelense deve votar o acordo. Caso seja aprovado, Israel iniciará a retirada gradual das tropas da Faixa de Gaza até a área definida no entendimento, segundo informou um alto funcionário da Casa Branca à CBS News.
A retirada deve ocorrer em até 24 horas, seguida por uma contagem de 72 horas para que o Hamas liberte os reféns. A expectativa é que os primeiros reféns sejam libertos na próxima segunda-feira (13).
O Canal 12 de Israel informou que Trump deve desembarcar em Israel no domingo (12), a convite de Netanyahu, para realizar um discurso no Parlamento israelense (Knesset).
🌍 Repercussão internacional
Parentes de reféns israelenses receberam o anúncio com emoção e esperança.
“Alegria imensa, mal posso esperar para ver todos em casa”, disse Eli Sharabi, que perdeu familiares no conflito.
“Meu filho, você está voltando para casa”, escreveu a mãe do refém Nimrod Cohen.
Na Faixa de Gaza, houve comemorações populares.
“Graças a Deus pelo cessar-fogo, pelo fim do derramamento de sangue e das mortes”, declarou Abdul Majeed abd Rabbo, morador de Khan Younis, à Reuters.
Líderes internacionais também saudaram o acordo. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou que o pacto é “um passo muito necessário rumo à paz”, pedindo que todas as partes respeitem os termos do plano.
No Congresso dos EUA, parlamentares demonstraram cauteloso otimismo.
“O primeiro passo foi dado, e todas as partes precisam garantir que isso leve a um fim duradouro da guerra”, disse o senador Chris Coons (Partido Democrata).
O senador James Risch (Partido Republicano) considerou o acordo bem-vindo e afirmou que aguarda conhecer os detalhes do plano.